Os Saltos e Pinotes foram a primeira banda em Portugal dedicada exclusivamente a tocar Swing Jazz para quem dança. Formada por pessoas que dançavam Lindy Hop e algumas delas mal tocavam, eram movidas pela enorme paixão pela música e pela dança.

Na foto vêm-se os elementos da esquerda para a direita: Francisco Moser (violino), Pedro Sol (guitarra), David Afonso (guitarra), Iuri Santos (baixo), Solange Santos (Voz), Miguel Fonseca (clarinete).

Por diversas razões a banda já não existe.

Começa sempre com um enamoramento. Pela música, depois pela dança, depois pelas pessoas. É inevitável fazer amigos no Lindy Hop. É inevitável cada um dar um pouco de si para ajudar em qualquer coisa.

Foi algures por aí que se juntou a vontade violenta de dançar ao som de música ao vivo, como vemos nos festivais internacionais. O contacto com algumas dessas bandas deu-nos a pista: a maior parte são Lindy Hoppers que se juntaram para fazer música nas suas comunidades.

Apesar de pelas ruas de Lisboa já se começar a ouvir bom jazz e swing (links), criar um repertório de música para dançar é um pouco mais exigente. E não há assim tantos fundos para convidar músicos profissionais a tocar para nós.

Entra David, o imparável. Fala com Iúri e Pedro e começam as primeiras experiências, em total segredo. Aproxima-se uma festa de Lindy e o bicho de fazer qualquer coisa pica com força. Ao ouvirem Solange a cantar numa peça de teatro, resolvem desafiá-la. Ela, céptica, acede teoricamente. Na prática, combina-se um ensaio para ver como soa uma música. Ao fim de duas horas a brincar com “(I Can’t Give You) Anything but Love”, David diz: “então tocamos na festa amanhã”.

Engole-se o pânico e assim foi. A primeira apresentação ao vivo dos Saltos & Pinotes, uma música em que a maior parte do tempo em palco foi passada a combinar coisas… Mas as pessoas, que primeiro se sentaram para apreciar a novidade, levantaram-se para dançar logo nos primeiros acordes. Já não havia volta a dar.

Depois descobrimos que o Miguel tocou clarinete há muitos anos e gostava de voltar a ele. E que o Francisco, o exímio violinista profissional, até gostava de brincar connosco.

A segunda apresentação ao público já foi com a formação actual, com três músicas e de olhos esbugalhados a ver os Lindy Hoppers a dançar pela sala como se não houvesse amanhã. Mimam-nos, é o que é.

Conjugar disponibilidades é pior que sudoku, os conhecimentos de música são frustrantemente insuficientes (se não fosse o Francisco estávamos tão perdidos), escolher músicas é coisa de horas e animadas discussões porque os gostos são muitos e a panóplia de escolhas no arquivo vintage do David e do Iúri é quase interminável, e encontrar um caminho para cada uma é um desafio ainda mais complicado.

Mas há as panquecas, limonada e aplausos da Cátia, há as fotos e vídeos lindíssimos do Mário, e o seu controlo de qualidade — quando se juntam os dois a experimentar dançar durante os ensaios. Chama-se “teste de dançabilidade”. Há uma amizade forte onde não encontramos censura, mas estímulo para nos desafiarmos. E há um grupo de Lindy Hoppers que pacientemente espera que tenhamos tudo combinado em cima do joelho para desatar a dançar. Cá estamos, para isso.

Ah… E se alguém, que toque um instrumento, se quiser juntar a nós numa Jam numa destas noites, contactem-nos! Algumas pautas estão disponíveis no site.

Não deixámos para trás a primeira oportunidade de tocar no mágico espaço da Caixa Económica Operária. Mesmo sem técnico de som e com uma micro-mesa de mistura, lá nos safámos.

Desta vez adicionámos mais um elemento na secção rítmica. Embora não se ouça muito bem, a washboard tem um som deliciosamente vintage.

Songs:

1) Dark Eyes
2) I Can’t Give You Anything But Love
3) Blue Skies
4) All of Me
5) When You’re Smiling
6) HoneySuckle Rose

Members:

Francisco Moser – violon
Pedro Sol – voice
Guilherme Andrade – washboard
Solange Santos – voice
Iuri Filipe – bass
David Afonso – guitar

Depois de um hiato, esta pseudo-banda de swing volta com um reportório mais alargado (7 músicas). O espaço é acolhedor e os dançarinos também o foram. O Miguel (clarinetista) estava de cama e para compensar, a Solange salta para o baixo para o David finalmente pegar no saxophone.

Devagar devagarinho lá fomos melhorando.

Para a segunda aparição pública, no Cabaret de uma festa de Lindy Hoppers fizemos upgrade musical, adicionando duas músicas ao reportório, mas também um upgrade aos membros, incluíndo o Miguel e o Francisco à cacófonia.

A banda formou-se no dia anterior, naquele que foi o primeiro ensaio.

A técnica é limitada e a experiência neste género musical era nulo, mas sentiu-se logo química entre os elementos durante essas 2h de galhofa sobre este maravilhoso standard.
Como o ensaio correu melhor do que esperávamos engolimos o orgulho e decidimos apresentar a nossa interpretação na festa do dia seguinte. Isto é que é confiança… ou talvez seja mesmo parvoíce e falta de profissionalismo, reflectido por exemplo no esquecimento de planear a “sequência” das secções musicais… Mas o mais importante é que diverti-mo-nos, e a malta dançou.