It don’t mean a thing if it ain’t got that swing
~ Duke Ellington

Nesta famosa composição, Duke Ellington refere-se à importancia da música ter “Swing”. Mas o que é swing? Embora definir seja praticamente impossível definir “swing”, o ritmo swing é algo que é tangível e acima de tudo muito útil de perceber e sentir para quem dança Lindy Hop, Blues, Balboa, Charleston ou outras danças swing associadas.

O ritmo swing é caracterizado por ser “assimétrico”. Ou seja, os seus beats não estão igualmente espaçados no tempo. Sabe-se científicamente que isto cria um sentimento de excitação, devido ao elemento de surpresa existente no ritmo (referência científica).

Mas como é que se cria o ritmo swing?
Pensemos num ritmo de 4 tempos (batidas), que se repetem continuamente, muito comum em música.

1 2 3 4

 

A distância entre as batidas, no gráfico acima, representa o tempo de silêncio que decorre entre cada uma delas. Neste caso, temos uma perfeita “simetria” porque as batidas estão à mesma distancia das batidas vizinhas. Por vezes também se usa o termo “rítmo quadrado” para descrever esta simetria.

Vamos agora adicionar duas batidas extra, passando a ter “1 & 2, 3 & 4” ao invés de apenas “1, 2, 3, 4”.

Claro que podemos introduzir mais batidas e/ou remover outras, podemos subdividir mais o ritmo (mais quadrados, mais pequenos), podemos colocar mais ênfase numas batidas do que noutras, etc, originando infinitos ritmos, completamente diferentes uns dos outros. As opções são ilimitadas!

Na realidade a música swing está repleta de assimetrias em ambas as direcções, quer atrasadas (mais comuns), quer adiantadas. Como consequência, os Lindy Hoppers estarão muitas vezes a dançar “à frente ou atrás” do ritmo principal. Esta é uma noção de musicalidade bastante avançada, mas que tem um impacto enorme na qualidade de dança, quer seja Lindy Hop, Blues, Balboa, Charleston ou qualquer outra estilo de dança Swing.

Para exemplificar o efeito da sincopação rítmica com casos reais podes ouvir em baixo um conjunto de músicas, pouco ou nada sincopadas, às quais, recorrendo a alguns truques computacionais manhosos, distorci o tempo, adicionando-lhe sincopação rítmica.

Claro que esta modificação computacional dá resultados estranhos e origina alguma perda de qualidade de áudio, no entanto a ideia aqui não é “melhorar as músicas”, é antes tentar ouvir o impacto que uma simples mudança na simetria do rítmico pode ter, enquanto se mantém tudo o resto igual.

Isto significa que para a música swingar basta “sincopar” o ritmo?
Claro que não. Os exemplos acima são esclarecedores. Nenhuma das músicas se tornou Swing… Mas, embora lhes faltem bastantes elementos/alterações para lá chegarem, “vão num bom caminho”. Isto porque em alguns géneros musicais, como no Swing, Jazz e Ragtime, este rímto swing (também conhecido por  swing time) é parte essencial do seu carácter, tornando-se difícil a sua dissociação.

 

Para os Lindy Hoppers, torna-se portanto relevante compreender que quando dançamos, o nosso corpo não se move de forma regular no tempo. Existem partes do nosso “movimentos” que durarão mais tempo do que outros.